sábado, 6 de dezembro de 2008

Teatro, Correria, Amor e Encontro das Artes. No fim dá tudo certo.

8:10, um ator varava os cômodos da casa de leitura apreensivo, com celular em mão e passo rápido. A calmaria que permeia a Casa de Leitura da Gameleira contrastava com a expressão e a correria do ator, que quando foi questionar sobre a hora da sua apresentação descobriu que faltava apenas uma música para que o seu grupo de teatro subisse no palco pequeno, mas confortável da casa. O problema que apressava os passos dele e da organização era o atrasado de duas atrizes que junto com ele faziam a esquete teatral que constava na programação da I Simultesia – Encontro Simultâneo das Artes. As meninas tinham uma apresentação de trabalho naquela mesma noite que valia nota da N1. Enquanto falavam do papel do trabalho no processo de transformação do macaco e homem, na sala do 2º período de Ciências Socias, André Cézar, o ator desesperado, chegava à casa de leitura com uma escada enfeitada com fitas e flores, um cabide que pouco se firmava no chão ( e graças à magia do teatro nunca caiu em cena) e uma caixa branca que guardava os adereços dos personagens.

8:3o,
- Quanto tempo tem a apresentação de vocês?
- 30 minutos, é só uma esquete.
- A ta, é porque a casa de leitura tem que fechar 9 horas, então vocês têm que se apresentar agora.
Mal a funcionaria da Casa de Leitura terminara de falar o André já estava com o celular ao pé do ouvido: Onde vocês estão? Como? Tem que chegar aqui em 10 minutos? Em frente de onde?O que? E quem vai fazer a Sonoplastia, a Ju ainda não apareceu? Tem certeza que falou com ela? Hãn?

A comunicação estava sendo cortada pela última música da banda Nicles, que tocava no mesmo palco em que deveriam se apresentar, agora os problemas eram maiores, a sonoplasta não tinha sido avisada e o cd tinha que ser regravado pois não encontraram o original. Mas em um passe que deixou todos impressionados, o Yuri, um amigo do grupo, conseguiu gravar o cd no tempo recorde de três minutos e ainda sair correndo pela rua para entregar o cd ao carro que transportava as duas atrizes e uma sonoplasta improvisada.

Kilrio Farias, Vocalista da Nicles e Organizador do I Simultesia – Encontro Simultâneo das Artes

Os aplausos eram para saída da Banda Nicles, que acabara sua performance. Agora era a vez deles, e nada delas chegarem.

- E agora, agente não apresenta? É isso?
- Não, calma, pode ficar tranqüilo, agente segura até as meninas chegarem - tranqüilizava-o Kilrio Farias, o organizador do Sarau. Kilrio assistiu uma apresentação do grupo na Biblioteca Marina Silva, gostou do espetáculo e os convidou para se apresentarem no Encontro das Artes.

Um par de olhos azuis subia aos holofotes e lia uma poesia de Mario Quintana, enquanto uma fila se formava perto do palco com pessoas de livros na mão que queriam ler poesias, histórias, enfim o espaço era livre para quem quisesse se manifestar. Esse par de olhos azuis, já tinha subido ao palco várias vezes, ele apresentava o Sarau, e pertencia à Agatha Lima, que é atriz, estudante de Artes Cênicas e namorada do Kilrio.

8:55,Finalmente, chegavam as meninas todas de branco compondo o figurino do espetáculo, entraram e foram direto para o cozinha da casa que também tinha livros espalhados por todo canto. Enquanto Fabrícia Freire terminava a maquiagem e Clara Pimentel, passava um roteiro feito minutos antes no carro para Veriana Ribeiro, amiga do grupo que não pensou duas vezes em aceitar a idéia de improvisar essa sonoplastia. A tarefa parecia fácil pois Veriana já havia assistido a esquete algumas vezes.

Todos prontos, o grupo faz um ritual que já se tornou hábito antes das apresentações. Unem-se em roda e os três ''bem baixinho mas com muita força'' dizem MERDA.

9:10, Agatha apresentava o grupo de teatro TudoNumaCoisaSó, fazendo um histórico do grupo que não é muito, já que esse é seu primeiro trabalho.

E agora as 9:13, os três se entreolhavam atrás do público, cada qual em uma porta que dava para a varanda, esse era o sinal que eles podiam começar. E assim foi, o espetáculo Todos os Amores se desenrolou, naquele palco pequeno e aconchegante. Alguns olhos brilhavam na platéia, e um, era muito conhecido, o do pai da atriz Clara Pimentel que se emociona sempre que vê a filha no palco.

Agora, já às 9:53, Fabrícia Freire fechava o espetáculo com uma das melhores falas do texto. Indagando o público sobre a verdade desse sentimento que o grupo resolveu transformar em teatro, o amor.

2 comentários:

Gigliane disse...

Perdi mais uma né?
Mas fico feliz que tudo deu certo, entretanto, ficarei ainda mais qd vcs me levarem a sério...rsrs ;o)
Beijo Grande.

Gigliane disse...

Aff..
Desculpa pessoALL..
Nada haver, eu li a data do post como sendo 6 de janeiro/09, viajei legal...
Acho que tenho sérios problemas...
=D
Beijo Grande.